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Elogiando os filhos (Tatiana Farias)

18/11/2011

No post passado, escrevi sobre a premiação do filho quando de sua aprovação na escola. No texto, defendi que a aprovação faz parte dos deveres da criança e do adolescente e, por isso, não deve estar condicionada a prêmios e presentes. Porém, uma leitora argumentou – com toda razão – que a aprovação não merece prêmios, mas merece elogios. Daí surgiu a ideia deste post.

Elogiar parece coisa fácil e o tema parece clichê, mas não é. De fato, a aprovação, assim como outros méritos da criança e do adolescente, merecem elogios. Quem não gosta de ser elogiado? Se para nós, adultos, esses “galanteios” servem para massagear nossa autoestima, imaginem os milagres que podem operar nas crianças e adolescentes!

Brincadeiras e exageros à parte, chamo aqui a atenção porque nem sempre é fácil fazer um elogio. Quem nunca viu pais que exigem o máximo de seus filhos a parece que sempre cobram mais, sem reconhecer as conquistas dos pequenos?

O que vale chamar a atenção, quando se fala na questão do elogio, é que de fato eles contribuem para a autoestima das crianças e adolescentes e, embora pareça óbvio, nunca é demais reforçar que pessoas com uma boa autoestima têm menor propensão a se envolver com drogas e a ter certos tipos de transtornos psicológicos como a depressão, por exemplo. Além disso, também tendem a ter mais confiança e, assim, realizar melhor suas tarefas – não só as da escola, mas suas atividades ao longo da vida.

No entanto, é preciso tomar cuidado com o elogio. Mas calma: não estou dizendo que precisamos dosar o elogio. Ao menos, não quando ele é verdadeiro. O cuidado que precisamos ter é de, sempre que fizermos um elogio, termos a certeza de que ele é verdadeiro. Assim, não adianta eu fazer um elogio ao meu filho se ele não é real. Se o elogio não for verdadeiro, além de corrermos o risco de que a criança perceba – porque criança não é boba, como muita gente pensa! –, e aí o elogio pode ter o efeito inverso, também aumentamos as chances de que essa criança tenha uma visão distorcida da realidade. Isso, por sua vez, pode gerar uma autoestima, digamos, superdesenvolvida, daquelas em que a pessoa acha que é sempre melhor do que os outros.

Outra questão importante, que serve de reflexão: se sou o tipo de pai ou mãe que apenas cobra, briga, sem elogiar, meu filho vai entender que quando ele faz coisa errada é que tem atenção dos pais. Exemplo prático: quando meu filho se comporta mal, brigo com ele; se ele se comporta bem, não faz mais do que a obrigação e, por isso, não elogio. Nesse caso, ele vai entender que só tem atenção – mesmo que negativa, na forma de uma bronca – quando se comporta mal, e isso vai aumentar as chances de que ele se comporte mal de novo, já que o bom comportamento não é “recompensado”.

Bem, mas, afinal, o que eu quis dizer com todo esse post? Que todos os méritos da criança e do adolescente devem ser reconhecidos, mas precisamos estar atentos a se de fato são méritos. O esforço do pequeno ao estudar para uma prova, ainda que a nota não tenha sido máxima, deve ser reconhecido. Isso não significa, porém, dizer que isto é suficiente. Os pais sabem – ou deveriam ao menos estar atentos para saber – as potencialidades de seus filhos. Assim, se a criança se esforçou e tirou uma boa nota, ela merece elogios; mas, se sabemos que ela pode dar mais, o elogio também pode ser acompanhado de uma conversa em que o pai mostre que sabe dessa potencialidade e o incentiva a desenvolvê-la, sem um tom de cobrança.

Difícil, não é? Mais uma vez, entramos na questão do bom senso e do equilíbrio. Elogio verdadeiro nunca é demais; mas cuidemos para não tornar o elogio uma obrigação dos pais e, assim, tirar o seu sentido motivador e incentivador!

Tatiana Farias Moreira é psicóloga, com mestrado em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações pela UnB. Atualmente trabalha na área de saúde mental e trabalho no GDF e realiza grupos de discussão com pais e professores em contexto escolar.

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