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Aprovação no fim do ano merece presente? (Tatiana Farias)

01/11/2011

Com a chegada do fim do ano, estamos cada vez mais próximos, também, do fim das aulas, que nos traz um dilema: devemos premiar as crianças pela aprovação na escola? Esse é um tema bem controverso e, assim como a questão do limite, às vezes não é tão fácil de definir – e de lidar com a decisão tomada. Para discutir esse tema, comecemos do começo.

Quando nascemos, vamos aos poucos nos inserindo na sociedade. Na escola, assumimos o nosso segundo papel social: o de aluno (o primeiro é o de filho). Como todo papel, o de filho e o de aluno envolvem direitos e deveres.

Toda criança e adolescente têm direito ao cuidado, ao amor, à saúde, à alimentação, entre diversos outros já bem definidos pela sociedade e mesmo por leis (vide o Estatuto da Criança e do Adolescente). No entanto, essas mesmas leis também determinam os deveres desses pequenos cidadãos. Entre eles, estão o de obedecer aos pais e o de estudar.

Na prática, o que isso significa? Que, assim como o adulto deve trabalhar, a criança e o adolescente devem estudar. Assim, isso entra nos deveres do papel de filho e de aluno. A partir do momento em que passamos a premiar a boa nota, deixamos de tratar o estudo como uma obrigação e passamos a tratar o prêmio como um direito.

Isso significa que não posso dar presente ao meu filho? De forma alguma! Entre os direitos da criança e do adolescente também estão o acesso ao lazer e à cultura. No entanto, precisamos observar os momentos em que premiamos. Não podemos condicionar a boa nota a um presente porque, assim, se tiramos o presente, também acaba a boa nota.

Por outro lado, também precisamos tomar cuidado com a nossa reação a uma nota baixa. O acompanhamento dos pais é sempre muito importante na escola, e uma nota baixa pode representar diversas coisas: a criança ou o adolescente pode estar com algum problema que não compartilhou com ninguém, pode ser uma forma de chamar atenção ou mesmo uma dificuldade naquela matéria.

Para cada um desses tipos de problema, existe uma solução diferenciada. Se o filho/aluno está com algum problema, cabe tanto ao pai quanto à escola observar a mudança de comportamento e/ou no rendimento escolar, de modo que possa ampliar seu diálogo com a criança ou o adolescente e ajudá-lo de alguma forma. Se a nota baixa é uma forma de chamar atenção, pode ser que ele esteja se sentindo abandonado e, de fato, precise de uma maior atenção – que pode e deve ser manifestada por meio de carinho, interesse pelas suas atividades, acompanhamento na escola, entre diversas outras formas que a criança e o adolescente merecem. E, se a criança está com dificuldade na matéria, cabe à escola e aos pais dar uma atenção especial, buscando sanar esse problema.

Assim, o acompanhamento do desempenho escolar dos filhos – e a devida reação a eles – é uma tarefa muito importante dos pais; a educação, da qual o acesso à escola faz parte, é um direito que a criança e o adolescente têm e que é garantido por lei. E, lembrem-se, a educação é obrigação dos pais, em parceria com a escola.

Tatiana Farias Moreira é psicóloga, com mestrado em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações pela UnB. Atualmente trabalha na área de saúde mental e trabalho no GDF e realiza grupos de discussão com pais e professores em contexto escolar.

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6 Comentários leave one →
  1. 01/11/2011 9:30

    Eu acredito que não tem que dar presente não. Que nem meu pai dizia pra mim e pra minha irmã, “Passar de ano é obrigação. Não faz mais nada da vida, só estuda!!”

    Ou seja, no meu caso, em que não precisávamos trabalhar para ajudar no sustento de casa, a nossa “única” obrigação era com os estudos. Eu penso da mesma forma

  2. 02/11/2011 7:48

    Também acho que não precisa de presente, mas creio que uns elogios e um grande abraço valem a pena, afinal, quem não gosta de ser reconhecido pelo bom trabalho?

    • Tatiana Farias Moreira permalink
      06/11/2011 20:44

      Verdade, elogios sempre são bem-vindos! Faltou falar disso no texto. 🙂 Afinal, se só reclamamos quando vem nota baixa e não elogiamos quando vem nota alta, estamos, de certa forma, reforçando a nota baixa. Isso porque só estamos dando atenção quando a nota é baixa!

  3. 18/11/2011 15:02

    Olha eu sempre dava presentes pra minha sobrinha quando passava de ano. Dava tb quando ele recebia algum premio na escola.Ela sempre foi uma aluna aplicada e tirou notas boas.(está terminando o primário) Sempre achei estar estimulando. Hj morando longe fico só nos elogios. Acredito que não havendo muito explicito a relação de troca, não tem problema. Até pq elogiava e dava o presente sem uma previa promessa; Talvez esteja aí o diferencial.

    • Tatiana Farias Moreira permalink
      06/12/2011 21:36

      Talvez sim, mas acho que o fato de ser a tia, e não os pais, a dar presentes, também é um diferencial. Afinal, são os pais que estão presentes no dia-a-dia da criança e que são responsáveis por sua educação e pelos limites – embora outras pessoas, como tios, avós etc, também possam contribuir. Mas o ponto é que os pais têm o papel principal. De todo modo, não podemos generalizar dizendo que todo mundo que for premiado por aprovação vai ser “estragado”; o que funciona para uns, não necessariamente funcionará para outros. E é bom ver um caso bem-sucedido, diferente do que pregamos, porque nos faz refletir mais sobre o assunto! 🙂

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