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O limite do limite (Tatiana Farias)

15/10/2011

Aproveitando o gancho da matéria divulgada aqui alguns dias atrás, sobre a diferença entre educar e punir, meu primeiro post será sobre limites. Como a própria matéria coloca, a questão do limite é bastante delicada. Vemos extremos nas diferentes famílias: autoritarismo e permissivismo.

Sempre que trato desse tema, gosto de diferenciar autoridade de autoritarismo. Os pais são uma figura de autoridade sobre seus filhos, assim como os educadores também são sobre seus alunos. E toda criança precisa de figuras de autoridade, afinal, os pais e a escola preparam os pequenos para que eles se insiram naturalmente na sociedade, e a sociedade é cheia de leis, normas, regras de convivência. Além disso, o limite também é uma forma de demonstração de afeto e preocupação.

Então, como diferenciar autoridade de autoritarismo? É simples: a autoridade envolve uma relação de respeito. O pai, a mãe, o professor, devem colocar limites, mas a autoridade implica em perceber o outro como uma pessoa que tem direitos, assim como nós próprios. O respeito é uma via da mão dupla; os filhos respeitam os pais, e, por sua vez, os pais respeitam os filhos. Ok, mas e como operacionalizar isso? Também é muito simples: os limites colocados devem fazer sentido. Não pode comer salgadinho antes do almoço porque senão não vai comer direito na hora da refeição; não pode pôr o dedo na tomada porque leva choque; não pode assistir TV até tarde porque tem que acordar cedo no dia seguinte.

O autoritarismo, por outro lado, é um uso equivocado da autoridade. Proíbo porque tenho poder para isso, sem me importar com os direitos do outro e, assim, negligencio seus direitos. “Por que não posso ir brincar?” “Porque não!” Mas, como os pais adoram dizer para os filhos, “Porque não” não é resposta.

É preciso que a criança perceba, portanto, que o limite estabelecido é para o bem dela. Mas, para isso, não basta que simplesmente digamos “é para o seu bem”. A autoridade, por envolver respeito, dá espaço para o diálogo, que também é fundamental em qualquer relação. Por outro lado, também é preciso tomar cuidado com a permissividade, que é o oposto do autoritarismo.

Educar, amar, dialogar, não significam permissividade. O limite faz parte das premissas básicas do amor e da educação, e pode, sim, ser dialogado; mas deve existir. Hoje, é muito comum vermos crianças e adolescentes sem limites. Quantas notícias temos visto sobre jovens agredindo professores, atropelando pessoas e fugindo, tentando subornar policiais ao serem flagrados dirigindo alcoolizados e/ou sem habilitação? Esses são só alguns exemplos de indícios de falta de limite. Como veremos em posts mais à frente, a autoridade, exercida de forma adequada, é uma forte aliada na formação de cidadãos conscientes, na prevenção do uso de drogas, e em vários outros processos da infância e da adolescência.

E como saber qual é o limite do limite? É, pais, essa parece ser a parte mais difícil, porque não existe uma receita pronta. Cada criança é única, assim como cada pai e cada mãe. Minha dica é: ao estabelecer limites, pergunte-se se eles tem um porquê. Se a resposta for não, ou se o porquê estiver relacionado às emoções do momento, pense duas vezes: é possível que esse limite não faça sentido ou, ao menos, possa ser negociado.

Tatiana Farias Moreira é psicóloga, com mestrado em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações pela UnB. Atualmente trabalha na área de saúde mental e trabalho no GDF e realiza grupos de discussão com pais e professores em contexto escolar.

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  1. 26/01/2012 19:20

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